Greve dos professores estaduais entra na segunda semana sem acordo

A greve dos professores da rede estadual de Minas Gerais entrou na segunda semana sem que as negociações entre o governo e os sindicatos tenham avançado. A paralisação afeta mais de 4 mil escolas e 2 milhões de alunos em todo o estado.

A principal demanda da categoria é um reajuste salarial de 15%, que compensaria a perda inflacionária acumulada nos últimos dois anos. O governo estadual ofereceu 8%, alegando restrições orçamentárias. A diferença entre as propostas mantém o impasse.

"Meu salário hoje é menor do que era em 2022, em termos reais. Como vou me manter? Como vou comprar material didático para os meus alunos?", diz a professora Maria Aparecida Ferreira, 45 anos, que leciona matemática em uma escola estadual de Contagem.

Além do reajuste salarial, os professores também reivindicam melhorias nas condições de trabalho, incluindo a redução do número de alunos por turma, mais horas de planejamento remuneradas e investimentos na infraestrutura das escolas.

O secretário de Educação, Fernando Pimentel, disse que o governo está comprometido com a valorização dos professores, mas que o aumento proposto é o máximo possível dentro do orçamento atual. "Não podemos comprometer o equilíbrio fiscal do estado", afirmou.

Pais de alunos estão divididos. Alguns apoiam a greve e entendem as demandas dos professores; outros estão preocupados com o impacto na aprendizagem dos filhos. A Associação de Pais e Mestres do estado pediu que as partes cheguem a um acordo rapidamente para minimizar os prejuízos educacionais.

L
Luciana Pires
Jornalista mineira, especializada em política estadual e questões sociais.